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Plantas monitoram a qualidade do ambiente

Você sabe o que são bioindicadores? São organismos vivos, como, por exemplo, as plantas, que fornecem informações sobre a qualidade e saúde do meio ambiente no qual estão inseridas. A interação entre planta e ambiente tem sido amplamente estudada e as informações obtidas são de grande utilidade para a sociedade. Afinal, o que os nossos olhos não veem, as plantas nos contam!


As plantas indicam o que está acontecendo

A qualidade do meio ambiente pode ser determinada pela presença ou ausência de um bioindicador. Já os biomonitores trazem informações quantitativas da qualidade biológica do ambiente, incluindo o impacto de diversas variáveis estressantes (Parmar et al 2016).


Alguns tipos de estresse em plantas fazem com que estas desenvolvam marcadores específicos que permitem identificar qual é o problema e assim auxiliam na tomada de decisão quanto a ele.


Os poluentes do ar têm sido biomonitorados com o auxílio de plantas em diversos países. No Brasil, pesquisadoras também estão estudando e mostrando algumas espécies de plantas que têm sido excelentes monitoras da saúde do ambiente.


O ozônio troposférico, por exemplo, é um poluente altamente tóxico para as plantas e demais seres vivos, devido ao seu forte poder oxidativo. Günthardt-Goerg e colaboradores (2000), identificaram em árvores de clima temperado sintomas macroscópicos e microscópicos que são característicos do ozônio, como manchas escuras nas folhas e a morte acelerada de células. Alves e colaboradoras (2011 e 2016) identificaram estes mesmos sintomas em plantas tropicais como a goiabeira (Psidium guajava) e a Ipomoea nil (L.) Roth 'Scarlet O'Hara' em uma área contaminada por ozônio na cidade de São Paulo. Os sintomas causados na Ipomoea nil devido ao ozônio são claramente visíveis no trabalho de Ferreira et al 2012:

As figuras A, B, C são folhas de Ipomoea nil coletadas no Parque no Ibirapuera (São Paulo) e D, E, F são folhas de I. nil submetidas a fumigação por ozônio em câmaras fechadas. Os efeitos do ozônio são vistos pelo padrão de necrose nas folhas. Fonte: https://bit.ly/37drmcr


Ainda falando de poluentes, uma bromélia (Tillandsia usneoides) conhecida como “Barba de Velho”, foi utilizada para monitorar a qualidade do ar em uma parte do Rodoanel, uma rodovia da Região Metropolitana de São Paulo (bastante poluída devido ao tráfego de automóveis). As pesquisadoras mostraram que a Barba de Velho acumulou metais provenientes das emissões de poluentes de combustíveis dos veículos, mas os compostos fenólicos presentes nas plantas não permitiram a entrada dessas partículas no interior delas, protegendo-as de danos mais graves. Por isso, a Barba de Velho foi recomendada por estas pesquisadoras como uma boa alternativa de biomonitoramento da qualidade do ar em zonas urbanizadas (Cardoso-Gustavson et al. 2018).

Barba de velho, uma bromélia (Tillandsia usneoides) usada no biomonitoramento de uma rodovia de São Paulo. Foto CC.


Mais uma vez está provado que as plantas são seres extremamente inteligentes e que a observação de seu comportamento diante das adversidades do ambiente é de total relevância para a sociedade moderna.


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Texto escrito por Márcia Gonçalves Dias.


Referências

ALVES, E. S. et al. The efficiency of tobacco Bel-W3 and native species for ozone biomonitoring in subtropical climate, as revealed by histo-cytochemical techniques. Environmental Pollution, v. 159, n. 12, p. 3309-3315, 2011.

ALVES, E. S. et al. Cellular markers indicative of ozone stress on bioindicator plants growing in a tropical environment. Ecological indicators, v. 67, p. 417-424, 2016.

CARDOSO-GUSTAVSON, P. et al. Tillandsia usneoides: a successful alternative for biomonitoring changes in air quality due to a new highway in São Paulo, Brazil. Environmental Science and Pollution Research, v. 23, n. 2, p. 1779-1788, 2016.

FERREIRA, M. L. et al. Critical analysis of the potential of Ipomoea nil ‘Scarlet O'Hara’for ozone biomonitoring in the sub-tropics. Journal of Environmental Monitoring, v. 14, n. 7, p. 1959-1967, 2012.

GÜNTHARDT-GOERG, M. S. et al. Visible and microscopic injury in leaves of five deciduous tree species related to current critical ozone levels. Environmental Pollution, v. 109, n. 3, p. 489-500, 2000.

PARMAR, T. K.; RAWTANI, D.; AGRAWAL, Y. K. Bioindicators: the natural indicator of environmental pollution. Frontiers in Life Science, v. 9, n. 2, p. 110-118, 2016.

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Idealizadora e Autora

Francynês Macedo

Bióloga com mestrado e doutorado em Fisiologia e Bioquímica de Plantas pela Esalq/USP. Desenvolve pesquisas na área de Fisiologia de Plantas sob Estresse com ênfase em Eletrofisiologia Vegetal. Possui ampla experiência com a técnica de medição de sinais elétricos em plantas. Na área de ensino tem experiência com Metodologias Ativas de Aprendizagem, incluindo Design Thinking na formação de professores. Propósito de vida: aprender e ensinar.