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Planta parasita planta?

Acredite, a reposta é sim!

Uma das classificações mais comum para as plantas é de que elas são seres autotróficos, o que significa, de maneira simples, que elas são capazes de produzir sua própria energia. Porém, ao longo de sua história evolutiva, algumas plantas desenvolveram a capacidade de serem parasitas de outras plantas, ou seja, utilizam-se dos recursos produzidos pelas plantas hospedeiras.


A classificação das plantas parasitas é realizada de acordo com o grau de parasitismo. As plantas que são totalmente dependentes de uma planta hospedeira são chamadas de holoparasitas. As plantas que ainda possuam folhas ou outros órgãos com alguma capacidade de realizar fotossíntese são chamadas de hemiparasitas.

Na primeira imagem está o Viscum album, um exemplo de planta hemiparasita. Diphelypaea coccinea, na segunda imagem, representa uma planta holoparasita. (Gruzdev et al. 2019; H. Zell CC 4.0).


Além disso, as plantas parasitas podem ser classificadas quanto ao ponto de ligação com o hospedeiro, sendo a maioria parasitas do sistema radicular. Existem também as parasitas que se estabelecem na parte aérea dos hospedeiros. Por fim, há os parasitas facultativos, organismos oportunistas que são totalmente capazes de completarem seu ciclo de vida sem a necessidade de parasitar, mas adotam o estilo parasita quando encontram um hospedeiro.


Sugadoras da energia alheia


As plantas parasitas são consideradas patógenos biótroficos de outras plantas. E como elas se aproveitam das plantas hospedeiras?


A interação entre as plantas parasitas e hospedeiras ocorre através de sinais complexos que têm sido amplamente estudados, principalmente pelo fato de algumas plantas atacarem culturas de cereais de grande importância agronômica.


A Striga asiatica, conhecida como pequeno-feiticeiro (witchweed, em inglês), é um problema seríssimo e de difícil controle que causa a diminuição no rendimento da produção de plantações de milho, sorgo e outros cereais.


De maneira geral, a semente de uma planta parasita germina em resposta a presença de moléculas específicas que são exsudatas ou emitidas (voláteis) pela planta hospedeira.


Ao longo da evolução, plantas parasitas desenvolveram uma estrutura, conhecida como haustório, especializada em penetrar as células da planta hospedeira em direção ao seu sistema vascular, para então absorver seus nutrientes.


Devemos lembrar que na natureza a ordem é a sobrevivência da espécie, ou seja, as plantas parasitas não são "más", elas estão apenas tentando sobreviver aplicando a lei do mínimo esforço.


Referências

Delavault, P. et al. Communication between host plants and parasitic plants. In: Advances in Botanical Research. Academic Press, 2017. p. 55-82.


Gruzdev, E. V. et al. Extensive plastome reduction and loss of photosynthesis genes in Diphelypaea coccinea, a holoparasitic plant of the family Orobanchaceae. PeerJ, v. 7, p. e7830, 2019.


Taiz, L. et al. Fisiologia e desenvolvimento vegetal. Artmed Editora, 2017.


Texto escrito por Márcia Gonçalves Dias.


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