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Maçã: curiosidades, aspectos anatômicos e nutricionais do pseudofruto

Atualizado: 15 de Dez de 2019

Encontramos registros sobre a maçã ao longo da história da humanidade, antes e depois de Cristo, na mitologia e na religião, como a passagem bíblica sobre o pecado original quando Adão e Eva “comem a fruta proibida”. No século XVII, a queda de uma maçã teria desencadeado estudos do físico Isaac Newton que postulou a Lei da gravitação universal. Na atualidade, sempre ouvimos a célebre frase “coma uma maçã por dia e mantenha o médico longe”. Então vamos conhecer a maçã e entender porque se tornou a terceira fruta mais consumida no mundo!

O que é um pseudofruto?

A maçã (Malus domestica Borkh.) não é um fruto verdadeiro, sendo classificada como pseudofruto. Os frutos verdadeiros são formados a partir do ovário da flor, entretanto, outras partes da flor também podem se desenvolver em conjunto formando um falso fruto ou pseudofruto. O ovário da flor da maçã é totalmente aprofundado e aderido ao receptáculo da flor (ínfero) e a porção carnosa e comestível se desenvolve deste receptáculo (pseudofruto). Comumente, conseguimos visualizar a porção derivada do ovário por uma delimitação de tecido cartilaginoso ao redor das sementes (Vídeo 1).

Vídeo 1. Flower & Fruit Anatomy Animations, UCDavis (Fonte).


Estrutura anatômica durante o desenvolvimento e maturação

Sua estrutura está organizada externamente pela casca, composta pela epiderme revestida pela cutícula e camadas de células subepidérmicas. A epiderme, é constituída por uma única camada de células e tem presença de tricomas e estômatos no início do desenvolvimento do pseudofruto (2).

A presença de tricomas (fig. 1A) no início do desenvolvimento dos frutos tem função de defesa contra herbivoria e estresse ambiental. No entanto, estes tricomas são eliminados deixando cicatrizes (fig. 1B) que são recobertas por cera cuticular ou transformadas em lenticelas (fig. 1D). Ainda no início do desenvolvimento do pseudofruto, os estômatos (fig. 1C) também são todos substituídos pelas lenticelas, ambos apresentam função de realizar trocas gasosas nos frutos. Logo, os “pontos” marrons que visualizamos na casca da maçã madura são lenticelas.

À medida que o pseudofruto se expande durante o desenvolvimento, em condições climáticas adversas, ocorrem microfissuras na epiderme e na cutícula por não acompanhar o crescimento interno dos tecidos. Surpreendentemente, plaquetas de ceras são formadas e dispostas transversalmente às microfissuras (fig. 1E), sendo este mecanismo denominado de “rasgo e reparo”, processo realizado de modo a recobrir estas aberturas (3).

Tessmer e colaboradores (2013) estudaram os padrões de cutícula de duas cultivares de maçãs maduras provenientes de três locais de cultivo e em duas condições de armazenamento; e verificaram que a cutícula é bastante espessa e as ceras epicuticulares apresentam variados formatos como plaquetas e glóbulos (fig. 1F). Naturalmente, a cutícula tem importante papel de evitar a entrada de patógenos causadores de podridões e a desidratação durante o crescimento das maçãs nos pomares e durante o armazenamento refrigerado. Após a colheita, as maçãs são armazenadas em temperaturas baixas por vários meses e as ceras continuam sendo produzidas para manutenção deste recobrimento.

Figura 1: Microscopia eletrônica de varredura de Maçãs ‘Gala’ em desenvolvimento (A, B, C, D) e na maturação (E, F). A: Tricoma, B: Cicatriz após eliminação do tricoma, C: estômato, D: Lenticela, E: Microfissuras e recobrimentos por plaquetas de ceras e F: Cristais de ceras globosas e plaquetas. Fonte: Tessmer, M.A.


Aspectos nutricionais e compostos bioativos

Os consumidores preferem maçãs com casca de cor avermelhada, conferida pelos polifenois e antocianinas presentes nas células epidérmicas e subepidermicas. A porção carnosa ou polpa propriamente dita é de natureza parenquimática e também apresenta estes compostos, embora que em menores quantidades comparado a casca (1). Possui vitaminas A, C, B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B3 (niacina), B5 (ácido pantotênico) B9 (ácido fólico) e minerais. Os polifenóis, as antocianinas e a vitamina C são compostos de alta capacidade antioxidante que atuam no combate de doenças cardiovasculares, inflamatórias e cancerígenas (1).

Além das particularidades anatômicas, nutricionais e compostos bioativos presentes, a maçã se tornou uma das frutas mais consumidas mundialmente por sua beleza, facilidade de consumo, crocância, sabor e aromas. Então não esqueça de consumir maçãs regularmente e aproveite seus benefícios!


Referências

(1) Ferrareze, J.P.; Piovezan, M.; Maguerroski, C.M.; De Lima, A.P.V.; Girardi, L.C. Physico-chemical and bioactive compounds characterization of apple ‘Gala’ mutants harvested at two different time points. Communications in Plant Sciences, v. 7, p. 49-54, 2017.

(2) Tessmer, M.A.; Appezzato-da-Glória, B.; Antoniolli, L.R. Influence of growing sites and physicochemical features on the incidence of lenticel breakdown in ‘Gala’ and ‘Galaxy’ apples. Scientia Horticulturae, v. 205, p. 119-126, 2016.

(3) Tessmer, M. A.; Antoniolli, L. R.; Appezzato-da-Gloria, B. Cuticle of ‘Gala’ and ‘Galaxy’ apples cultivars under different environmental conditions. Brazilian Archives Biology and technology, v. 55, n. 5, p. 709-714, 2012.

Link do vídeo: Fruit & Nut Research & Information Center, University of California. http://fruitandnuteducation.ucdavis.edu/generaltopics/AnatomyPollination/FlowerFruit_Anatomy_Animations/


Texto escrito por Magda Andréia Tessmer

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Idealizadora e Autora

Francynês Macedo

Bióloga com mestrado e doutorado em Fisiologia e Bioquímica de Plantas pela Esalq/USP. Desenvolve pesquisas na área de Fisiologia de Plantas sob Estresse com ênfase em Eletrofisiologia Vegetal. Possui ampla experiência com a técnica de medição de sinais elétricos em plantas. Na área de ensino tem experiência com Metodologias Ativas de Aprendizagem, incluindo Design Thinking na formação de professores. Propósito de vida: aprender e ensinar.