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Frutos e seus padrões de maturação

Atualizado: Abr 6

Alguns frutos são colhidos já maduros na planta como uvas, limão, morango e melancia (não-climatéricos) e outros são colhidos verdes e completam o amadurecimento posteriormente, como banana, maçã e tomate (climatéricos). Primeiramente, para entendermos as diferenças entre estes grupos de frutos e mudanças atuais, precisamos estudar os eventos de desenvolvimento dos frutos (Figura 1) e descobertas científicas dos últimos anos.

Figura 1. Eventos de desenvolvimento do tomate (climatérico). Créditos de imagem: Plants in Action (Brummell, D.A.).


Eventos do desenvolvimento dos frutos

O início do desenvolvimento dos frutos ocorre devido a intensa divisão celular da parede do ovário ou de outras partes da flor, seguido da expansão celular e crescimento rápido em tamanho. São geralmente verdes, as células e tecidos se diferenciam com funções específicas em cada espécie para acúmulo de taninos, compostos fenolicos, amido e ácidos orgânicos. A maturação é a fase em que o fruto atinge a maturidade fisiológica ou horticultural.

Mas o que é maturidade fisiológica ou horticultural?

É a fase em que o fruto atinge seu tamanho máximo e transformações estruturais, bioquímicas e fisiológicas ligadas à maturação passam a ocorrer, ligados à planta-mãe ou não. Por exemplo, tomates são comumente colhidos na fase de maturação, ainda com coloração verde, o que permite a realização do transporte para locais mais distantes e amadurecimento posterior para disponibilidade do fruto no mercado.

No amadurecimento, os processos acima citados resultam em características visuais, de composição e qualidade que tornam os frutos atrativos. São evidentes mudanças de coloração devido à biossíntese de pigmentos como antocianinas e carotenoides. Na textura, enzimas atuam na degradação da parede celular tornando a polpa mais macia. O sabor, é conferido pelo equilíbrio entre ácidos orgânicos e açúcares (transformação do amido em açúcar) e redução ou não da adstringência e a biossíntese de aromas é característica particular de cada espécie. A senescência, processo de envelhecimento com reações de degradação, é indesejável do ponto de vista da conservação e estudos pós-colheita são realizados no intuito de atrasar este evento e evitar perdas.

Dois processos muito importantes para estas mudanças são a atividade respiratória e a produção de etileno, as quais tem determinado padrões de maturação dos frutos.


Padrões de maturação

Na década de 20, Kidd e West estudaram maçãs armazenadas e identificaram um aumento acentuado da respiração durante o amadurecimento, denominando este pico de climatério. Posteriormente, verificou-se que nem todos frutos apresentavam climatério e passaram a dividí-los em dois grupos: Climatéricos e não-climatéricos (Figura 2). O etileno, depois de descoberto como o hormônio responsável pela maturação foi incorporado aos conceitos (Godoy-Beltrame, 2012; Bron e Jacomino, 2007).

- Frutos Não-Climatéricos: a respiração e a produção de etileno diminuem durante o amadurecimento. As transformações bioquímicas ocorrem de forma mais lenta e o amadurecimento ocorre com o fruto ligado à planta. Ou seja, as características desejáveis (ex. elevada quantidade de açúcares e baixa acidez) devem ocorrer na planta e previamente à colheita.

- Frutos Climatéricos: apresentam pico de atividade respiratória (CO2) acompanhado de um pico autocatalítico de produção de etileno, que pode ou não coincidir com o pico respiratório. Estes frutos podem ser colhidos verdes (maturação) e apresentam capacidade de realizar as transformações necessárias para consumo como mudança de cor da casca e firmeza.

Figura 2. Padrões de maturação não-climatérico e climatérico. Fonte: Dantas, A. (2015).



Estes padrões são exatos?

Atualmente, sabe-se que a classificação quanto ao climatério não pode ser aplicada a todos frutos, pois muitos não se enquadram nos padrões (Pech et al., 2008, Bron e Jacomino, 2007), e futuramente esta classificação cairá em desuso.

A maturação dos frutos depende de fatores genéticos, das condições de cultivo e do ponto de colheita e as variações ocorrem até mesmo nas variedades de uma espécie. O papel do etileno não é claro, e estudos sugerem que há processos dependentes e independentes do etileno e diferem entre as espécies. Vários estudos apontam frutos que não se enquadram nos padrões de maturação tradicionais como a goiaba ‘Pedro Sato’ e maracujá-amarelo (Godoy-Beltrame, 2012), morango (Giovannoni, 2001) e melão (Saladié et al., 2015).

Estudos futuros sobre os processos atrelados a maturação e sua caracterização para cada fruto podem contribuir para geração de conhecimento, gerar tecnologias de conservação e reduzir perdas na pós-colheita.


Texto escrito por Magda Andréia Tessmer.


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Referências


Bron, I.U.; Jacomino, P. A.Classificação de frutos por "climatério" é conceito em extinção? Visão Agrícola, p. 1-3, 2007.


Giovannoni, J. Molecular biology of fruit maturation and ripening. Annual Review of Plant Physiology, Palo Alto, v. 52, p. 725-749, 2001.


Godoy-Beltrame, A.E. Fisiologia do amadurecimento de maracujá-amarelo e goiaba ‘Pedro Sato’ ligados ou não às plantas. 2012, 113 p. Tese (Doutorado em Fitotecnia)-Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2012.


Pech, J.C.; Purgatto, E. Girardi, C.L.; Rombaldi, C.V.; Latché, A. Current challenges in postharvest biology of fruit ripening. Current Agricultural Science and Technology, v. 19, p. 1-18, 2013.


Saladié, M.; Canizares, J.; Phillips, M. A.; Rodriguez-Concepcion, M.; Larriguadiere, C.; Gibon, Y.; Stitt, M.; Lunn, J. E.; Garcia-Mas, J. Comparative transcriptional profiling analysis of developing melon (Cucumis melo L.) fruit from climacteric and non-climacteric varieties. BMC Genomics, v. 16, n. 1, p. 1–20, 2015.




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