©2019 por PlantaconsCiência. Orgulhosamente criado com Wix.com

Bem-vindo ao PlantaconsCiência

Conteúdo científico sobre Biologia Vegetal

O PlantaconsCiência é um veículo para expressarmos nossa paixão pelo maravilhoso campo da Biologia Vegetal por meio da publicação de resenhas críticas sobre artigos científicos e vídeos informativos para mostrar e trocar com os leitores sobre o inspirador mundo das plantas. Nosso objetivo maior é plantar consciência por meio da ciência das plantas. Então entre e sinta-se à vontade!

 
 
Buscar
  • PlantaConsciência

As plantas são seres inteligentes?

As plantas sempre foram tidas como seres passivos e pré-programados para responder a estímulos do ambiente de forma automática. No entanto, os avanços na Biologia vegetal têm demonstrado que as plantas são organismos extremamente complexo, e que por trás da imagem inerte de uma planta existe um ser completamente ativo em constante interação com os fatores bióticos e abióticos do ecossistema do qual faz parte.

A capacidade de interagir com o ambiente, principalmente de forma equilibrada, exige a percepção deste ambiente o que, por sua vez, implica em capturar informações, armazená-las, processá-las e transmiti-las, não só para todas as partes do corpo, mas também para as plantas vizinhas. Para tanto se faz necessário um sistema de processamento de informações e uma forma de transmitir estas informações rapidamente. Comumente a inteligência é uma faculdade atribuída a seres que possuem um sistema nervoso, ou no mínimo algum tecido especializado. Sabe-se que as plantas não possuem células nervosas, então seriam elas capazes de comportamento inteligente?


Figura: Trends in Plant Science, Mar, 2005.


Para o fisiologista vegetal e biólogo molecular da Universidade de Edinburgh, Anthony Trewavas, um dos principais estudiosos do assunto no mundo, as plantas são inteligentes na medida em que modificam seu comportamento através do processamento de informações do ambiente a sua volta, ou seja, as plantas apresentam um comportamento inteligente na medida em que são capazes de “resolver problemas”. Complementando a ideia de Trewavas, Brenner et al. (2006) define a inteligência em plantas como uma capacidade intrínseca de processar a informação de estímulos abióticos e bióticos possibilitando assim uma tomada de decisões sobre atividades futuras em um determinado ambiente. Os termos 'Resolução de problemas’ e ‘tomada de decisão’ são palavras-chave no debate sobre a inteligência de plantas porque sua utilização implica em consciência e vontade própria, características que são tidas pela Biologia vegetal clássica, como totalmente inadmissíveis e desnecessárias para seres “passivos” como as plantas.


Como as plantas processam informações?


Para Trewavas, a comunicação entre as células vegetais formam uma rede organizada na qual todas as partes do organismo estão interligadas. Assim, o pesquisador sugere um mecanismo, que ele chama de rede adaptativa representacional (ARN) para explicar o processamento de informações nas plantas. De acordo com o modelo da ARN, a informação ambiental é percebida através das células, traduzida e validada, ou seja, a informação recebida é traduzida numa “linguagem” ou “código” celular, de acordo com critérios que favoreçam a planta como um todo. A informação codificada é então transferida para todas as partes da planta, onde, a nível de cada tecido é novamente modificada, validada e retornada, como uma resposta ao ambiente. Deste modo, não há necessidade de um tecido específico e/ou centralizado onde ocorra o processamento de informações, mas para Trewavas, o comportamento inteligente surge como uma propriedade do conjunto integrado de células e tecidos baseado no ARN.


Como as plantas aprendem?


Para explicar como as plantas aprendem sobre seu ambiente, os pesquisadores têm usado como exemplo processos bioquímicos, como as rotas metabólicas e as vias de transdução de sinal. Vias de transdução de sinal são os exemplos mais completos de um circuito proteico e íons cálcio são sinalizadores bem conhecidos nestas vias, especialmente em plantas. Ainda segundo Trewavas, redes de transdução de sinal compartilham propriedade com redes neurais, e podem facilmente ser traçados paralelos a respeito do modo de aprendizado entre elas. Redes neurais aprendem pelo acréscimo no número de conexões (e a força dessas conexões) entre os neurônios, representando a rota escolhida para conectar sinal e resposta. O resultado da aprendizagem é acelerar o fluxo de informações entre o sinal e a resposta. Já nas vias de transdução celular, a assinatura do cálcio leva a uma conexão entre proteínas que resulta na formação de determinada rota de sinalização, de forma análoga ao aumento no número de conexões entre neurônios em uma rede neural. As conexões entre proteínas em uma rota são consequência da fosforilação, a qual diminui a energia de ligação entre as moléculas aumentando assim a afinidade entre elas, de forma que a geração de uma nova rota de sinalização e uma maior afinidade entre as moléculas de proteínas nesta rota caracteriza um tipo de aprendizado celular.


Referências

Brenner, E.D., Stahlberg, R., Mancuso, S., Vivanco, J., Baluˇska, F. and Van Volkenburg, E. Plant neurobiology: an integrated view of plant signaling. Trends Plant Sci 11:413–419 (2006).

Trewavas, A. Aspects of plant intelligence. Ann Bot 92:1–20 (2003).

Trewavas, A. Green plants as intelligent organisms. Trends Plant Sci 10:413–419 (2005)

Trewavas, A. How plant learn. Proc. Natl. Acad, Sci. USA. Vol. 96, 1999.


Texto escrito por Francynês da Conceição Oliveira Macedo


#inteligenciavegetal #plantassãointeligentes #biologiavegetal #plantasaprendem #plantintelligence #learningplant

51 visualizações
 
 
 

Idealizadora e Autora

Francynês Macedo

Bióloga com mestrado e doutorado em Fisiologia e Bioquímica de Plantas pela Esalq/USP. Desenvolve pesquisas na área de Fisiologia de Plantas sob Estresse com ênfase em Eletrofisiologia Vegetal. Possui ampla experiência com a técnica de medição de sinais elétricos em plantas. Na área de ensino tem experiência com Metodologias Ativas de Aprendizagem, incluindo Design Thinking na formação de professores. Propósito de vida: aprender e ensinar.